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Foto:Ricardo Mendes

Constelações, consteladores e formadores

Já faz tempo evitamos ler posts e artigos execrando Bert Hellinger e as Constelações Familiares, mas como recentemente vários alunos têm recebido estas mensagens e entrado em contato conosco decidimos escrever sobre este e outros assuntos que envolvem esta abordagem.

Em primeiro lugar, existem as mensagens de ódio. Estas, normalmente, vêm de pessoas que ouviram falar, mas que nunca se deram ao trabalho de conhecer as Constelações mais de perto. Repassam textos ou traduções de textos que desqualificam Bert Hellinger e distorcem a abordagem e as novas perspectivas que ele trouxe ao mundo. O próprio Bert nunca se impressionou com as opiniões alheias. Durante sua vida, foi muito combatido em seu próprio país e, apesar de tantas críticas, levou seu trabalho a inúmeras culturas que espontaneamente acolheram e multiplicaram o alcance de sua obra. Também não se deixava seduzir por elogios. Antes de morrer, Bert publicou sua biografia, “Meu Trabalho, Minha Vida!” (Ed.Cultrix), onde esclareceu todas as polêmicas e afirmou uma vez mais a sua independência. Já leram? Em vez de multiplicar desinformação vale à pena ler.

Tivemos o privilégio de tê-lo conhecido e aprendido diretamente com ele e nunca o vimos como um Deus ou como um ser imaculado. Pelo contrário, durante um treinamento, assistimos ele reconhecer diante de mais de 600 pessoas que havia se equivocado no dia anterior.

 

As críticas às Constelações Familiares merecem uma visão mais ampla. Muitas pessoas ouvem falar maravilhas das Constelações e buscam atendimento imaginando ser algo mágico e milagroso. Sentimos informar que não é. O que se pode esperar de uma Constelação Familiar é um aumento da clareza sobre o assunto que o cliente traz e é justamente esta clareza que pode ajudar a que perceba qual o passo e a direção a seguir. Ainda assim, existem pessoas que preferem manter-se inocentes a reconhecer a sua parte ou enxergar a humanidade do outro e recolher seus dedos acusatórios e, para estas pessoas, não há nada que ajude. Em resumo, expectativas exacerbadas ou apego à inocência são motivos suficientes para o descontentamento com esta abordagem.

 

Por outro lado, neste mundo instantâneo em que vivemos, assistimos ao aumento da oferta de cursos de formação de terapeutas com tempos de duração cada vez mais curtos. Um deles, há vários anos no Brasil, se propõe a formar novos consteladores familiares e organizacionais durante um programa imersivo de 3 semanas, como se isto fosse possível. Quem se dedica a esta abordagem sabe muito bem que é preciso um tempo muito maior para que as novas perspectivas que ela traz possam ser absorvidas e vividas no âmbito pessoal antes de serem oferecidas aos clientes. Da mesma forma que não é possível ingerir todas as refeições da semana em apenas um dia para poupar tempo. Então o que podemos esperar de quem, na ânsia de aprender e começar a trabalhar com as Constelações, se deixa levar por esta possibilidade e investe alto neste tipo de proposta? As formações de curta duração contemplam as necessidades de faturamento dos organizadores, mas não têm os alunos em vista. Tudo isso para dizer que, possivelmente, muitas das críticas dirigidas às Constelações se devem à condução deficiente de consteladores formados de maneira deficiente.

 

Existem ainda aqueles que desqualificam as Constelações Familiares arrogando-se possuidores do saber “acadêmico”, como se apenas ele fosse garantia de eficiência e atestado de valor. Onde estão estas pessoas que não se espantam que um jovem receba o diploma de Psicologia aos 22 anos e seja autorizado a atender sem nunca ter passado por um processo terapêutico durante sua breve vida? Que cuidado é este com a ética profissional que não olha para uma lacuna tão elementar nesta formação? Por que esta ânsia de desmoralizar e aniquilar aquilo que amplia ao invés de aproximar-se e se aliar? Nossos ex-alunos, a grande maioria composta por psicólogos, relata o quanto as Constelações amplificaram sua trajetória profissional e ofereceram embasamento profundo ao seu trabalho.

 

Outro aspecto importante com relação à formação de novos consteladores é o surgimento de uma proposta que promete “certificação e habilidades para trabalhar e atuar como constelador(a) familiar na forma original de Bert Hellinger”. O que seria esta “forma original”? Durante um treinamento com Bert Hellinger organizado pelos queridos Décio e Wilma Oliveira em agosto de 2008, Bert facilitou a Constelação das Constelações para que verificássemos o que estava atuando em seu campo (o DVD com as imagens pode ser adquirido através da Editora Atman). Observamos durante um bom tempo o movimento dos representantes. Alguns se colocaram como guardiões da forma que Bert utilizou no início do trabalho. Outros se colocaram em sintonia com os Movimentos do Espírito, que Bert nos ensinava naquele seminário. Outros seguiam em direção ao futuro, ampliando o que receberam e promovendo novas conexões. Num determinado momento Bert entrou ele mesmo na Constelação. Caminhou para uma das extremidades do círculo onde a constelação se desenrolava, ergueu os braços e dirigiu seu olhar para o alto e para fora. Parecia dizer algo como “fiz a minha parte, agora solto e deixo com vocês”. Bert tinha clareza que havia iniciado um movimento e que o movimento não lhe pertencia. Tudo isso para dizer que, durante estes 15 anos a que nos dedicamos a estudar e ensinar as Constelações Familiares, sentimo-nos inteiramente conectados com Bert Hellinger, ele sim, a fonte original desta belíssima visão de mundo e agradecemos por ter aprendido muito diretamente dele. O que dizer então de tantos outros consteladores que vieram antes de nós e que conviveram muito mais ainda com ele? Será que ainda carregam a “forma original de Bert Hellinger” ou já podem ser considerados desconectados dela atualmente? Será que os psicólogos analíticos formados nos últimos 30 anos teriam direito a se autodenominar detentores do “olhar original” de Jung tanto quanto seus discípulos diretos? O que tudo isto quer dizer?

 

Ricardo Mendes (Iralem) e Luiza H.S. Kliemann (Merkabah)